Anabolics #63 Insulina o Que é? Tipos , Prós & Contras?


Anabolics #62 Insulina  o Que é? Tipos , Prós & Contras?

Antes de prosseguir quero deixar bem claro que a intenção é informar em momento nenhum estou fazendo apologia ao uso.

A insulina é um hormônio peptídico produzido no pâncreas, sendo o hormônio regulador do metabolismo energético mais importante do organismo. Exerce múltiplas ações sobre o metabolismo e o crescimento celular. A insulina transporta proteínas (aminoácidos) e carboidratos (glicose) para
várias células do corpo.

Tipos de insulina

Existem vários tipos diferentes de acordo com o tempo de ação e o momento em que devem ser aplicados, que são:

  • Insulina Detemir, Deglutega ou Glargina - Estas são insulinas de ação lenta ou prolongada, que têm duração de um dia inteiro, e por isso a quantidade no sangue mantém-se constante, para imitar a insulina basal e mínima ao longo do dia. Os principais tipos são o Detemir (Levemir), Deglutega (Tresiba), que duram mais de 24 horas ou a Glargina (Lantus), que chega a durar mais de 30 horas.
  • Insulina NPH, Lenta ou NPL - Este tipo de insulina é considerada de ação intermediária e age durante cerca de metade do dia, entre 12 a 24 horas, e os principais tipos são NPH (Novolin N, Humulin N, Insulatard), Lenta (Humulin L, Novolin L) e NPL (Humalog Mix). Ela também pode imitar o efeito basal da insulina, sendo aplicadas de 1 a 3 vezes por dia, dependendo da quantidade necessária para cada pessoa, e da orientação pelo médico.
  • Insulina Regular - Também conhecida por insulina de ação rápida ou regular (Novorapid, Humulin R ou Novolin R), é uma insulina que deve ser aplicada cerca de 30 minutos antes das principais refeições, geralmente 3 vezes ao dia, e que ajuda a manter os níveis de glicose estáveis após a ingestão de alimentos.
  • Insulina Lispro, Aspart ou Glulisina - É um tipo de insulina é a insulina de ação ultra-rápida, que tem o efeito mais imediato, e deve ser aplicada imediatamente antes de comer ou, em alguns casos, logo após comer, imitando a ação da insulina que é produzida quando comemos para evitar que os níveis de açúcar no sangue fiquem altos. As principais são a Lispro (Humalog), Aspart (Novorapid Flexpen) ou Glulisina (Apidra).
Em termos simples, quando tomamos um copo de suco de laranja, este suco é processado pelo
seu sistema digestivo e transformado de frutose em uma forma de açúcar simples denominado de
glicose. O aumento da concentração de glucose no sangue provoca a secreção da insulina perfundida em 30-50 segundos. Não é só a ingestão de açucares que provoca a liberação de insulina, como muitos ainda pensam; os aminoácidos provenientes da ingestão de proteínas também acionam a insulina, mas em quantidade menor.
A quantidade de insulina liberada na corrente sanguínea é proporcional à quantidade de alimento ingerido e também é relativa ao tipo de alimento que se consome. Esta resposta é plotada em um
gráfico denominado índice glicêmico. Carboidratos complexos tais como a batata, arroz e macarrão
têm baixo índice glicêmico, enquanto carboidratos simples como açúcar de mesa e glicose têm alto índice glicêmico.

Mas afinal, depois de todo este tecnicismo, qual é a real importância deste hormônio para os culturistas ?

Ocorre que a insulina tem um efeito anabólico e anticatabólico : anabólico porque aumenta o
transporte de aminoácidos, principalmente os de cadeia ramificada (BCAA), para dentro do músculo e anticatabólico porque previne a quebra de proteínas intramusculares. A síntese de glicogênio também depende da insulina para transportar a glicose para dentro do músculo, a fim de promover recuperação tecidual após exercício físico.
Estes efeitos da insulina criam um perfeito ambiente metabólico para o crescimento e reparação tecidual. Mas ainda não é tão simples assim; ocorre que a insulina pode ser uma faca de dois gumes, ou de dois legumes, como dizem alguns culturistas mais chucros. Isto porque a insulina pode estimular o armazenamento de gordura e a produção de lipoproteína lipase (LPL), uma enzima que também trabalha no armazenamento de gordura. Quando aumentam os depósitos de gordura, tanto a insulina quanto a LPL são liberadas mais facilmente e em maior quantidade.
Por outro lado, a ausência de níveis adequados de glicose no sangue promove a liberação de um
outro hormônio, também produzido no pâncreas, denominado glucagon. Insulina e glucagon são denominados de hormônios contra-regulatórios, porque se opõe um ao outro. Quando a concentração
de insulina cai, a de glucagon se eleva, ou seja, quando os níveis de glicose no sangue são baixos, o glucagon entra em cena. Ocorre que o glucagon é um hormônio catabólico que irá quebrar tecido para fornecer energia que o corpo necessita para se manter. O glucagon irá promover a degradação de glicose restante e de gordura e, como a construção de músculos é secundária, será muito difícil aumentar a sua massa muscular.

Mas como controlar a insulina a meu favor ?

Existem regras simples a serem seguidas paraque se utilize todo o potencial da insulina como agente anabólico e anticatabólico e evitar o armazenamento de gordura.
  • Escolha corretamente os alimentos: consuma alimentos de baixo índice glicêmico durante o dia para manter energia constante na corrente sanguínea, evitando a oscilação de insulina, o que pode causar rompantes de fome, armazenamento de gordura e hipoglicemia.
  • Como o exercício tem efeito tampão sobre a insulina, você tem a possibilidade, de durante o treino, fazer o uso de bebidas de alto índice glicêmico. Estas bebidas normalmente, além de glucose, são enriquecidas com minerais e algumas vitaminas. Mas, se o seu orçamento estiver em baixa, um copo de água e duas colheres de chá de dextrose será o suficiente para ajudar em dia de treinamento rigoroso.
  • Já que, aproximadamente, até 90 minutos após o término do treino, o corpo tem uma capacidade enorme de absorver nutrientes, é muito conveniente que se eleve os níveis de insulina para aproveitar todo o seu potencial. Desta forma, após o treino é importante que se continue a ingerir líquidos energéticos e que se realize uma refeição altamente proteica, muito baixa ou zero em gordura e rica em carboidratos. Esta fórmula é infalível para uma explosão de insulina e aproveitamento de todo o seu potencial para direcionar os aminoácidos diretamente para dentro da célula muscular.
Lembre-se de que, nesta fase, a gordura também tem a sua utilização otimizada pela insulina e
a LPL, portanto não ingira gordura nesta refeição. Gorduras também são importantes para culturistas, principalmente as gorduras essenciais (EFAs), mas este assunto é melhor discutido em nutrição.
Aprendemos como nos beneficiar naturalmente deste poderoso hormônio, estimulando e
controlando a sua secreção na hora certa. Agora, estudaremos como determinadas substâncias podem auxiliar os culturistas a salientar os efeitos da insulina indiretamente e também com a administração de insulina injetável.
A primeira substância que analisaremos é o cromo, um mineral relacionado com o metabolismo da glicose e possivelmente um co-fator da insulina. Experiências realizadas em ratos, com administração de dietas baixas em cromo, promoveram os sintomas de diabetes que desapareceram após a administração deste mineral. Estimulada por estas evidências, a indústria de suplementos para atletas passou a propagar o uso de cromo na forma picolinato, num esforço para salientar os efeitos anabólicos da insulina. Pode ser que a administração deste mineral funcione para pessoas com deficiência de cromo, mas eu particularmente não conheço nenhum estudo que comprove mudanças significativas na composição corporal de fisiculturistas que fazem uso de picolinato de cromo. Talvez valha a pena suplementar a dieta com este mineral.

A próxima substância é o vanádio, mineral que entre outras atividades, exerce papel semelhante ao da insulina (insulin-like effect), proporcionando maior tolerância à glicose, influenciando o metabolismo glicolítico e lipídico, além de diminuir a concentração plasmática do colesterol. O vanádio na forma sulfato vem sendo administrado por culturistas com efeito melhor do que o picolinato de cromo, afirma quem já utilizou os dois complementos. O sulfato vanádio parece aumentar as reservas de glicogênio intracelular, tornando os músculos mais volumosos. Mas não é assim tão simples; tal como a insulina, este mineral parece, também, ter o poder de armazenar gordura. Desta forma, o melhor é controlar o consumo de gordura quando se administra este mineral. A dose normalmente utilizada de sulfato vanádio é de 30-45mg por dia, dividida em 3 ou 4 administrações diárias após as refeições, para evitar distúrbios estomacais e hipoglicemia. A super dosagem é tóxica, ocasionando distúrbios gastrointestinais e coloração verde azulada da língua. É aconselhável, ainda, que a administração deste mineral seja ciclada: 8 semanas de administração e duas semanas de intervalo. Acredito que necessitamos mais estudos científicos comparativos entre estes dois minerais.

O último recurso que analisaremos é o uso de insulina injetável por atletas. Mas, antes de seguirmos em frente, é primordial salientar que a administração de qualquer medicamento deve ser realizada sob a supervisão de um médico especialista, o qual irá determinar as necessidades do cliente, bem como regular a dosagem e/ou interromper a administração. A automedicação é perigosa e em se tratando de insulina, o erro poderá ser fatal. As informações aqui contidas são baseadas no que vem sendo utilizado por atletas que normalmente têm um ótimo respaldo técnico, condições de treino excelente e rigoroso controle nutricional. Portanto, não brinque com a sua vida; este é o bem mais precioso que você possui. A insulina é um medicamento originalmente utilizado por pessoas diabéticas porque não produzem insulina em quantia adequada ou porque as suas células não reconhecem a insulina. No
mundo do fisiculturismo, este hormônio está sendo utilizado por aqueles que desejam aumentar
de volume muscular, bem como para definição e densidade. A insulina, como já estudamos, é poderosa como agente metabolizador proteico, mas, em contrapartida, pode estimular o armazenamento de gordura. 
A insulina vem sendo utilizada em bases regulares por atletas que desejam um benefício extra
deste hormônio. Estes atletas injetam a quantidade certa na hora certa e mantém um controle nutricional rigoroso para evitar hipoglicemia severa e também armazenamento de gordura. O pâncreas naturalmente já libera insulina quando aumentam os níveis de glicose na corrente sanguínea, a fim de manter um equilíbrio glicêmico. Mas, quando a insulina extra é injetada, os níveis de açúcar podem baixar muito e ocasionar a hipoglicemia. Se um atleta desavisado fizer aplicação de insulina
logo de manhã cedo e só se alimentar de carboidratos complexos, não terá glicose suficiente na
corrente sanguínea na hora em que a insulina der o seu pico.
Os sintomas de hipoglicemia característicos são: sudorese excessiva, fraqueza, perturbações visuais, tremores, dores de cabeça, falta de ar, náuseas, coma e a morte. Para evitar tais sintomas, parece ser conveniente o consumo de 10 gramas de carboidrato simples (glicose) para cada UI (unidade internacional) de insulina regular (lenta), administrada cerca de 30 minutos após a injeção. Se um atleta injetou 10 UI, meia hora após, ele consumiria cerca de 100 gramas de glicose. Se o atleta tiver fazendo uso de insulina lenta, deverá se alimentar rigorosamente a cada duas horas e meia com uma
mistura de carboidratos para garantir o controle da hipoglicemia. Ainda assim, deve se prevenir, levando alimentos doses no bolso, tais como balas, chocolates e pastilhas de glicose em caso de hipoglicemia eminente. Lembre-se da característica imprevisível da insulina lenta. A vantagem da sua aplicação é que sempre que o atleta fizer uma refeição, lá estará a insulina para drenar glicose e os aminoácidos para dentro da célula.
É óbvio que o atleta não irá ingerir apenas carboidratos; terá também, que manter uma dieta rica em proteínas para que aproveite todos os benefícios da insulina no armazenamento proteico. O consumo de gorduras saturadas tem que ser muito limitado, mas deverá ser garantindo o consumo de gorduras essenciais (EFAs) como os óleos de peixe. É conveniente lembrar que o uso de insulina é incompatível com dietas pobres em carboidratos (dieta muito preconizada recentemente para fisiculturistas) o que evidentemente ocasionaria rapidamente um quadro hipoglicêmico e muito possivelmente a morte.

0 Comentários